Fernando Macedo
Como incluir site e comunicação no orçamento de um edital

A proposta está quase pronta: objetivos, metas, atividades e equipe. Falta a planilha de orçamento, e é nela que a comunicação costuma sumir. Ou fica de fora, ou aparece numa linha genérica chamada "divulgação", sem itens nem prazo. Depois da aprovação, a organização descobre que precisa de uma página do projeto, de peças para as redes e de um relatório final, e nada disso foi previsto.
Este texto mostra como incluir site e comunicação no orçamento quando o edital permite. As regras mudam de um edital para outro, e de uma edição para a seguinte. Os exemplos abaixo vêm de regulamentos e normas consultados em 11/10/2026, listados no fim. Antes de montar a sua planilha, confira o regulamento do edital que vocês vão disputar.
Primeiro, o regulamento diz se cabe
Não existe regra única. Cada edital define o que pode ser pago com o recurso, e a primeira tarefa é procurar no regulamento as palavras "comunicação", "divulgação" e "fortalecimento institucional".
Alguns exemplos recentes mostram como isso aparece:
o edital de fortalecimento institucional do UNFPA Brasil, de 2025, destinava até R$ 50 mil por organização a fortalecimento institucional e citava "comunicação e planejamento estratégico";
o Edital Geral 2025 do Fundo Brasil de Direitos Humanos apoiava a construção de planos institucionais, entre eles de captação e de comunicação estratégica;
o Edital Educação e Trabalho 2025 da Fundação Itaú incluía "ações de comunicação e disseminação" entre as ações elegíveis.
Nenhum dos regulamentos que lemos cita "site" como despesa. Por isso, vale descrever o site pelo que ele faz no projeto: a página que apresenta o projeto ao público, a área que publica os resultados, o espaço de transparência com relatórios e documentos. Escrito assim, o item conversa com a linguagem de comunicação e de fortalecimento institucional que o edital já usa.
Nas parcerias com o poder público regidas pelo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC, Lei 13.019/2014), o art. 46 permite pagar custos indiretos necessários à execução do objeto, "seja qual for a proporção em relação ao valor total da parceria". A lei federal não fixa teto percentual para esses custos. O edital e o plano de trabalho, porém, podem trazer limites próprios.
Cada item ligado a uma atividade
Uma linha "comunicação: R$ X" deixa o avaliador sem saber o que será entregue. O Fundo Brasil, por exemplo, lista a "adequação do orçamento às atividades propostas" entre os critérios de análise do Edital Geral 2025. Na prática, cada item de comunicação precisa responder a uma atividade ou meta da proposta.
Um formato que ajuda a leitura:
item: o que será entregue, com nome claro (página do projeto no site, série de peças para redes sociais, relatório final diagramado);
quantidade: número de páginas, de peças ou de exemplares;
atividade ligada: a ação da proposta que o item apoia, como a divulgação das inscrições ou a apresentação dos resultados;
prazo: o mês em que a entrega acontece;
valor: o total do item, a partir de orçamento do fornecedor.
Com essa estrutura, quem lê o orçamento entende por que cada valor está ali. E a equipe que vai executar o projeto sabe o que contratar e quando.
Valor de mercado e orçamentos
Nas parcerias com recurso federal, o Decreto 8.726/2016 diz que as compras da organização "adotarão métodos usualmente utilizados pelo setor privado" (art. 36). O decreto não exige três orçamentos, mas pede que o valor seja compatível com o plano de trabalho e com os preços de mercado.
Outros editais e leis de incentivo têm regras próprias, e alguns pedem mais de uma cotação. Os editais privados que lemos (Fundação Itaú e Fundo Brasil, ambos de 2025) pedem orçamento detalhado na inscrição, sem regra de três cotações nos textos consultados. Se o seu edital pedir cotações, junte os orçamentos de cada fornecedor com a mesma descrição de itens, para que a comparação seja justa.
Cronograma alinhado às parcelas
O dinheiro do edital costuma chegar em partes. No Edital Educação e Trabalho 2025, da Fundação Itaú, as parcelas eram de 30%, 40% e 30%, atreladas a relatórios e à prestação de contas. Quando o recurso depende de relatório, a comunicação precisa estar no cronograma de um jeito que gere prova a tempo.
Uma ordem que costuma funcionar:
No início: a página do projeto no site, com objetivo, público e calendário. Ela serve para divulgar as atividades e já fica como registro público.
Durante a execução: as peças para redes sociais e as atualizações da página, com fotos e números parciais.
No fim: o relatório final e a atualização da página com os resultados alcançados.
Cada etapa deixa links, arquivos e datas que entram nos relatórios parciais. O texto sobre prestação de contas de comunicação detalha esses documentos.
O que pedir ao fornecedor desde o orçamento
O orçamento do fornecedor de comunicação vai acompanhar a organização até a prestação de contas. Por isso, vale pedir desde o início:
itens com a mesma descrição que vai na planilha da proposta;
prazos por entrega, compatíveis com o cronograma do projeto;
nota fiscal em nome da organização. Nas parcerias federais, o Decreto 8.726/2016 (art. 37) pede notas ou recibos com data, valor, nome e CNPJ da organização e CNPJ ou CPF do fornecedor;
um relatório de entregas, com links e prints do que foi publicado.
Antes de pensar no orçamento, também vale olhar o site atual com os olhos de quem vai ler a proposta. O artigo O que o avaliador procura no site da sua ONG e o texto sobre página de transparência ajudam nessa revisão.
Como a Sassarico ajuda
Quando o edital permite incluir comunicação ou fortalecimento institucional, a Sassarico monta o orçamento itemizado, com valores e cronograma alinhados ao projeto, no formato que o edital pede. Depois da aprovação, emite nota fiscal com CNPJ em nome da organização e entrega um relatório das entregas, com prints e links, para a prestação de contas. A decisão sobre a proposta continua com o financiador. O papel do orçamento é deixar a parte de comunicação clara para quem avalia e possível de executar depois.
A página Site e comunicação para editais mostra como o trabalho acontece antes, durante e depois da inscrição, e a ficha de Criação de site explica o que entra no site. Se vocês já têm um edital em vista, agende uma conversa gratuita de 30 minutos: conte o edital e o prazo, e a gente diz o que cabe no orçamento.
Fontes (regulamentos e normas oficiais, consultados em 11/10/2026):
UNFPA Brasil, edital de fortalecimento institucional de organizações da sociedade civil, 2025 (até R$ 50 mil, comunicação e planejamento estratégico): https://brazil.unfpa.org/pt-br/submission/edital-de-fortalecimento-institucional-de-organiza%C3%A7%C3%B5es-da-sociedade-civil-que-atuam-com
Fundo Brasil de Direitos Humanos, Edital Geral 2025 (planos institucionais de comunicação estratégica, critério de adequação do orçamento): https://fundobrasil.org.br/app/uploads/2024/12/Edital-Geral-2025-PDF.pdf
Fundação Itaú, perguntas frequentes do Edital Educação e Trabalho 2025 (ações de comunicação e disseminação, parcelas de 30%, 40% e 30%): https://www.itausocial.org.br/wp-content/uploads/2025/08/prorrogado-FAQ-Edital-Educacao-e-Trabalho-2025.pdf
Lei 13.019/2014, MROSC (art. 46, custos indiretos): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13019.htm
Decreto 8.726/2016 (arts. 36 e 37, compras e comprovantes): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decreto/d8726.htm