Fernando Macedo

Página de transparência da ONG: o que publicar

Ilustração: página de transparência com lista de documentos para baixar e um homem acrescentando mais um

Em muitas ONGs, o estatuto está numa pasta do computador, o balanço do ano passado ficou no e-mail do contador e o relatório de atividades circula em PDF quando alguém pede. Tudo existe, mas ninguém de fora consegue encontrar sem perguntar.

A página de transparência resolve isso ao reunir esses documentos num endereço do site, com nome claro e data. Ela atende a uma obrigação legal para quem tem parceria com o poder público e responde às perguntas que financiadores, conselheiros e doadores costumam fazer. Este texto lista o que publicar, com base na lei e numa referência de mercado consultadas em 11 e 12/10/2026.

O que a lei pede sobre parcerias públicas

Pelo art. 11 do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC, Lei 13.019/2014), a organização deve divulgar na internet e em locais visíveis das suas sedes todas as parcerias celebradas com a administração pública. O parágrafo único define o mínimo de informação sobre cada parceria:

  1. data de assinatura, identificação do instrumento de parceria e do órgão público responsável;

  2. nome da organização e número do CNPJ;

  3. descrição do objeto da parceria;

  4. valor total da parceria e valores liberados, quando for o caso;

  5. situação da prestação de contas: data prevista para a apresentação, data em que foi apresentada, prazo para a análise e resultado conclusivo;

  6. quando pagos com recursos da parceria, o valor total da remuneração da equipe de trabalho, as funções dos integrantes e a remuneração prevista para o exercício.

Uma tabela com uma linha por parceria e uma coluna para cada item resolve a maior parte disso. O item 5 muda ao longo do tempo, então a tabela precisa de alguém responsável por atualizá-la a cada etapa da prestação de contas. O texto sobre prestação de contas de comunicação mostra os documentos dessa etapa. O item 6 envolve remuneração de pessoas: vale definir com a assessoria jurídica da organização a forma de apresentar esses dados.

O que financiadores esperam encontrar

Para além da lei, o Painel GIFE de Transparência dá uma boa referência. Ele confere se as organizações associadas ao GIFE publicam no site 16 indicadores, em 6 dimensões. Nenhum edital que lemos usa o painel como critério. Ele mostra o que institutos e fundações consideram básico:

  • contato: endereço, telefone e e-mail;

  • propósito: missão e visão;

  • governança e gestão: composição do conselho deliberativo, do conselho fiscal, da assembleia geral (no caso de associação) e da equipe executiva, além do estatuto;

  • planejamento, programas e atividades: principais programas e projetos, planejamento ou diretrizes estratégicas e relatórios de atividades;

  • informações econômicas e financeiras: demonstrações contábeis e relatórios de auditoria independente;

  • avaliação: relatórios de avaliação.

Contato, missão e programas costumam já estar em outras páginas do site. Na página de transparência, o foco fica em governança, relatórios, finanças e parcerias, com links para o resto.

Como organizar a página

Uma estrutura simples, em blocos, ajuda quem chega procurando um documento específico:

  • Quem somos e quem decide: estatuto, composição dos conselhos e da equipe executiva.

  • Parcerias com o poder público: a tabela do MROSC, uma linha por parceria.

  • Relatórios: relatórios de atividades e de avaliação, do mais recente para o mais antigo.

  • Finanças: demonstrações contábeis e, quando houver, parecer de auditoria independente, por ano.

Alguns cuidados fazem diferença no uso real:

  • cada documento com nome, ano e data de publicação, em vez de "arquivo final v3.pdf";

  • um resumo em texto ao lado de cada PDF, com os dois ou três números principais. Assim, quem está no celular entende o essencial sem baixar nada;

  • PDFs acessíveis, com texto selecionável, que o leitor de tela consegue ler;

  • link da página de transparência no menu ou no rodapé de todas as páginas.

O relatório de atividades merece atenção especial, porque costuma ser o documento mais lido. O texto sobre o relatório anual que o patrocinador lê antes de renovar mostra como organizá-lo.

Quem atualiza, e quando

A página só ajuda se estiver em dia. Uma página de transparência com o último balanço de três anos atrás passa a impressão contrária à que se quer passar.

Um calendário curto evita esse problema:

  • quando o balanço do ano for aprovado pelos órgãos da organização, publicar as demonstrações contábeis;

  • quando o relatório anual ficar pronto, publicar o PDF e o resumo;

  • a cada parceria assinada ou etapa de prestação de contas, atualizar a tabela;

  • a cada mudança de conselho ou de equipe, atualizar a composição.

Para isso funcionar, a própria equipe precisa conseguir publicar um documento sem depender de programador. Uma lista simples resolve: nome do documento, data e o arquivo, que pode ficar no próprio site ou num link para a pasta da organização. Vale escolher o formato que a equipe consegue atualizar sozinha.

Como a Sassarico ajuda

A página de transparência faz parte da Criação de site da Sassarico, montada para a equipe atualizar. Para manter documentos e tabelas em dia, a Manutenção do site pode assumir essas publicações. A aprovação em edital depende dos critérios de cada financiador. Uma página completa deixa o trabalho da organização fácil de conferir.

Veja também o que o avaliador procura no site da sua ONG e a página Site e comunicação para editais. Para revisar a transparência do seu site, agende uma conversa gratuita de 30 minutos.

Fontes (consultadas em 11/10/2026 e 12/10/2026):