Fernando Macedo

O que o avaliador procura no site da sua ONG

Ilustração: coordenadora de ONG apresenta o site da organização a uma avaliadora com prancheta

Quem escreve uma proposta de edital costuma se perguntar se alguém vai abrir o site da organização. A resposta honesta é que depende. Nos regulamentos e relatórios que consultamos para este texto, não encontramos regra dizendo que o avaliador visita o site, nem edital que dê pontos por ter um. Cada financiador tem o seu processo, e o regulamento é a referência.

Ainda assim, o site é o lugar público onde a organização mostra quem é, o que faz e como usa o dinheiro. Se alguém da banca, do conselho do financiador ou da equipe técnica quiser conferir a proposta, é ali que vai procurar. Este texto trata o assunto como orientação: o que o site precisa responder para que essa conferência dê certo.

Para isso, usamos duas referências que dá para verificar. Uma é a lei que trata das parcerias entre ONGs e poder público. A outra é o Painel GIFE de Transparência, que confere o que institutos e fundações publicam no site.

O que a lei já pede

O Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC, Lei 13.019/2014) diz, no art. 11, que a organização "deverá divulgar na internet" e em locais visíveis das suas sedes todas as parcerias celebradas com a administração pública. Para quem tem ou quer ter parceria com governo, publicar essas informações é obrigação legal.

O parágrafo único do mesmo artigo lista o mínimo a publicar sobre cada parceria, e o texto sobre página de transparência detalha esses itens. Mesmo para quem só concorre a editais privados, essa lista é um bom ponto de partida.

Uma referência de mercado: o Painel GIFE

O Painel GIFE de Transparência verifica se as organizações associadas ao GIFE publicam no site 16 indicadores, agrupados em 6 dimensões: contato, propósito, governança e gestão, planejamento e atividades, informações econômicas e financeiras, e avaliação. O painel foi feito para os associados do GIFE, e nenhum edital que lemos o usa como critério. Ele serve de referência porque mostra o que institutos e fundações consideram uma organização transparente.

Cinco perguntas que o site deveria responder

Juntando a lei e o painel, dá para organizar o site em torno de cinco perguntas. Cada uma deveria ter resposta em poucos cliques, inclusive no celular.

  1. Quem é a organização? Missão, visão e contato completo: endereço, telefone e e-mail.

  2. Quem responde por ela? Composição do conselho deliberativo e do conselho fiscal, da assembleia geral (no caso de associação) e da equipe executiva, além do estatuto para baixar.

  3. O que ela faz? Os principais programas, projetos e atividades, com público, lugar e período. Aqui entra também o planejamento ou as diretrizes estratégicas.

  4. Com que resultado? Relatórios de atividades e, quando houver, relatórios de avaliação. Números com fonte e período convencem mais que adjetivos.

  5. Como usa o dinheiro? Demonstrações contábeis e, quando houver, relatório de auditoria independente. Para quem tem parceria pública, a lista de parcerias exigida pelo MROSC.

O que costuma faltar

Mesmo entre organizações grandes, os documentos financeiros e de governança são os que mais faltam. No informe do Painel GIFE com dados de dezembro de 2024, 46% dos associados publicavam o estatuto e 54% publicavam as demonstrações contábeis. Se institutos e fundações com equipe própria deixam esses itens de fora, uma ONG pequena que publica esses documentos já mostra um cuidado que muita organização grande deixa de lado.

Outro ponto frequente é a diferença entre a proposta e o site. A proposta fala de um projeto que o site não menciona, ou cita números diferentes dos que estão no relatório publicado. Antes de enviar a inscrição, vale conferir se nomes de projetos, números de atendidos e equipe aparecem iguais nos dois lugares.

Um teste de dez minutos

Peça a alguém de fora da equipe que abra o site no celular e tente responder, sem ajuda, às cinco perguntas acima. Anote onde a pessoa travou, quanto tempo levou e o que não encontrou. Algumas perguntas que ajudam:

  • a página inicial diz, em uma frase, o que a organização faz e para quem;

  • os projetos citados na proposta aparecem no site, com data;

  • o estatuto e as demonstrações contábeis abrem, em vez de levar a um link quebrado;

  • há data de atualização nas páginas de projetos e de transparência.

O checklist Site pronto para edital reúne esses pontos numa lista para marcar.

Como a Sassarico ajuda

Cada financiador decide pelos critérios do próprio edital, e nenhum site muda isso. O que um site organizado faz é deixar o trabalho da organização fácil de encontrar, de entender e de conferir.

A página Site e comunicação para editais explica como a Sassarico trabalha antes, durante e depois da inscrição. Se vocês já têm site, o Diagnóstico completo do site mostra o que corrigir primeiro. Se o orçamento do projeto vai incluir comunicação, veja também como incluir site e comunicação no orçamento de um edital. Para começar pelo site que vocês têm hoje, agende uma conversa gratuita de 30 minutos.

Fontes (consultadas em 11/10/2026 e 12/10/2026):