Fernando Macedo
Migrar do WordPress para o Framer sem perder posições no Google

Um site em WordPress com alguns anos de vida guarda um patrimônio que não aparece no painel: endereços que o Google já conhece, páginas que recebem visitas de busca e links de outros sites apontando para posts antigos. Uma migração sem plano joga isso fora em uma tarde. O site novo fica bonito, e o tráfego de busca cai porque o Google passa a encontrar páginas de erro onde antes havia conteúdo.
Esse risco tem método. Na Sassarico, toda migração de WordPress para Framer segue a mesma ordem: inventário, modelo de dados, redirecionamentos, revisão e acompanhamento depois da publicação.
Comece pelo inventário, antes de qualquer layout
O primeiro passo é listar tudo o que existe no WordPress: páginas, posts, categorias, campos personalizados e arquivos de mídia. Cada item ganha uma linha numa planilha com o endereço atual, o destino no site novo e uma decisão. Migrar, juntar com outra página ou arquivar.
Essa planilha é o mapa de URLs, e a organização aprova o mapa antes de qualquer conteúdo sair do lugar. Parece burocracia. É ela que evita descobrir, um mês depois, que a página de doação mais acessada ficou de fora.
Se a organização usa o Google Search Console, cruze o inventário com o relatório de desempenho. As páginas que recebem cliques de busca são as que mais precisam de um destino claro no site novo.
Transforme posts e campos em coleções do Framer
O WordPress guarda conteúdo em posts, páginas e campos criados por plugins. O Framer organiza o conteúdo em coleções do CMS, com campos definidos para cada tipo: notícia, projeto, evento, publicação. Antes de migrar, definimos como cada tipo de conteúdo do WordPress vira uma coleção e quais campos ele carrega (título, data, imagem de capa, resumo, texto, categoria).
Esse modelo de dados decide duas coisas. A primeira é se a equipe vai conseguir publicar sozinha depois, sem depender de desenvolvedor. A segunda é se os endereços novos podem repetir a estrutura dos antigos. Sempre que possível, mantemos a mesma estrutura de URLs: se a notícia morava em /noticias/nome-da-noticia, ela continua lá, e nenhum redirecionamento é necessário.
Plugins sem equivalente no Framer entram nessa análise, um por um. Alguns viram um recurso nativo, outros viram um serviço externo, e há os que deixam de ser necessários.
No trabalho com a Arariba, o projeto começou exatamente por aí: um diagnóstico das coleções e um plano de redirecionamento antes de mover qualquer conteúdo.
Redirecionamentos 301 seguram as posições
Quando um endereço muda, o redirecionamento 301 avisa ao navegador e ao Google que a página foi transferida de forma permanente. Quem clica num link antigo chega na página nova, e o Google entende que o conteúdo continua existindo em outro endereço.
Cada linha do mapa de URLs com endereço diferente vira uma regra de redirecionamento no Framer. Três cuidados pesam nessa etapa:
apontar cada endereço antigo para a página equivalente; mandar tudo para a página inicial confunde quem chega e o próprio Google;
evitar cadeias, em que um endereço redireciona para outro que redireciona de novo;
incluir as URLs de categorias e de arquivos que recebem visitas, além das páginas principais.
O critério de aceite da migração inclui as URLs principais redirecionadas sem erro 404 e os formulários testados.
Revise em rodadas, comparando o antigo com o novo
A publicação só acontece depois das rodadas de revisão. Em cada rodada, comparamos o site antigo com o novo, página por página: o texto chegou inteiro, as imagens têm texto alternativo, os títulos e as descrições de busca foram preservados, os links internos apontam para os endereços novos.
O número de rodadas depende do tamanho do site. Na migração da Ecopol Saúde foram oito rodadas de revisão antes da publicação.
O checklist pós-migração fecha essa etapa. Ele cobre os redirecionamentos, os metadados de cada página e o teste dos formulários de contato, voluntariado, inscrição e doação. Formulário quebrado no dia do lançamento costuma passar despercebido até alguém reclamar.
Acompanhe as semanas seguintes
Publicar o site encerra só a primeira metade do trabalho. Nos dias seguintes, acompanhamos a indexação no Search Console: se o Google está encontrando as páginas novas, se apareceram erros 404 que escaparam do mapa e se as páginas que recebiam cliques continuam recebendo. Um erro encontrado na primeira semana se resolve com uma regra de redirecionamento. O mesmo erro descoberto meses depois já custou visitas.
Os redirecionamentos também precisam de cuidado contínuo, porque o site muda: páginas saem, projetos terminam, campanhas são arquivadas. No case do Cidadão Pró-Mundo, a manutenção mensal inclui auditoria de SEO no Search Console e redirecionamentos 301 configurados no Framer.
Se o site da sua organização está em WordPress e a troca está nos planos, o primeiro passo é o inventário. A página sobre a migração do WordPress para o Framer mostra cada passo, e a ficha de Migração do WordPress mostra o que entra no projeto e o que fica de fora. Para começar pelo mapa de URLs do seu site, fale com a gente.